Se observarmos grandes empresas, podemos tomar como exemplo o caso da Mercadona, que inicialmente gerava uma grande quantidade de cartão, uma vez que os seus fornecedores entregavam a mercadoria em caixas de cartão. Depois de esvaziadas — quer fossem caixas de leite ou de atum — estas eram descartadas, gerando resíduos desnecessários.
Atualmente, a Mercadona, para evitar este tipo de resíduos, utiliza caixas do tipo LOGIFRUIT, um fornecedor que aluga caixas de plástico utilizadas para transportar os produtos até ao ponto de venda.
O processo consiste em entregar estas caixas ao fornecedor ou subcontratado, que as enche com a mercadoria destinada diretamente ao supermercado. Depois de os produtos serem colocados nas prateleiras, as caixas são dobradas e devolvidas à empresa de aluguer, que se encarrega da sua lavagem e limpeza para que possam ser reutilizadas pelo fornecedor seguinte. Neste caso, o resíduo gerado é nulo, uma vez que a mesma caixa é utilizada várias vezes.
Existem também empresas do setor automóvel que adotam o mesmo princípio. Utilizam embalagens especialmente concebidas para uma peça específica, que seguem do fornecedor até ao fabricante. Estas embalagens são reutilizáveis e concebidas para suportar múltiplas viagens.
Posteriormente, a peça é transportada diretamente para a linha de produção com a sua embalagem original. Depois de esvaziada, a embalagem regressa ao fornecedor para ser reutilizada. Assim, o resíduo gerado é novamente nulo, uma vez que a embalagem tem uma longa vida útil e pode ser utilizada durante anos.
No nosso caso, temos uma fábrica de produção de mobiliário concebido para ser ecológico, reutilizável e reciclável. Os nossos fornecedores estão localizados nas proximidades, de forma a reduzir a nossa pegada de carbono.
Fornecemos aos nossos fornecedores caixas de madeira dobráveis com as proteções necessárias para que possam colocar as peças fabricadas. Estas peças são depois transportadas para o pintor ou para o nosso armazém, dentro das nossas próprias caixas reutilizáveis.
Depois de pintadas, as peças são novamente colocadas na mesma caixa, com a mesma embalagem, e transportadas para o armazém, onde são armazenadas em prateleiras até à montagem do mobiliário. Em seguida, a peça necessária é retirada diretamente da prateleira e colocada na embalagem destinada ao cliente final.
Durante todo este processo, a mesma embalagem é utilizada. Não é gerada qualquer embalagem adicional, evitando assim o consumo desnecessário de cartão, plástico ou outros materiais. Trata-se simplesmente de uma embalagem composta por uma palete de madeira e uma estrutura dobrável de madeira, utilizada várias vezes.
Desta forma, poupamos dinheiro e evitamos a produção de resíduos desnecessários que poluem o ambiente. Se tomarmos consciência dos danos que causamos, é possível implementar este sistema noutras fábricas ou empresas. Basta substituir o cartão por caixas de plástico para transportar produtos, mercadorias ou matérias-primas para cada linha de produção, empresa ou armazém.
Também é essencial privilegiar fornecedores locais, o que permite pensar não só na economia da empresa, mas também no bem-estar do planeta.
David Izquierdo
CEO iCommers